terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Cap. 2 Ponto de Solidão

Solidão. Algumas palavras soam tão negativas pelo simples fato de serem usadas somente – ou quase sempre - para dizer coisas negativas. Se as pessoas ficassem mais tempo sós, refletindo sobre coisas idiotas, como faço no momento, perceberiam como estão todos vivendo das idéias do outros, ou idéias generalizadas. Eu não trocaria esta minha rotina por nada, isso porque devo ser a garota que menos suporta rotinas em todo o mundo.
Todos os dias, ao sair do colégio, fico deitada neste banco de madeira e tinta branca já descascada, entre as árvores na rua do prédio em que eu moro. Com exceção dos dias que chove que são bem comuns agora no outono. A maioria prefere o verão de Londres, as pessoas parecem mais felizes e bonitas. Eu tenho a infeliz mania de amar o que todos odeiam e odiar o que todos amam. Pelo menos quase sempre. Eu não trocaria este céu cinzento, o chão de folhas coloridas que fazem barulho ao se quebrar com os pés de todos que passam ao meu lado. O dia dura menos e a cidade fica menos populosa e por último, mas não menos importante, o frio aumenta.
O vento balançou meus cabelos cujas pontas tocaram o chão, fechei os olhos e enquanto sentia o vento tocar meu rosto, um sorriso se formou em meus lábios. Eu realmente não trocaria este momento por nada. Solidão.

O céu se transformou em um cinza escuro, aquilo significava que eu deveria ir logo pra casa, pois meus pais logo chegariam. Ao passar pela portaria do prédio cumprimentei o porteiro que trabalha ali desde que eu nasci e nessa frase não foi usado hipérbole. Ao me deparar com o elevador, um aviso: Em manutenção. Como é possível que um prédio de 20 andares esteja com o elevador em manutenção? Perguntei ao porteiro se valeria à pena esperar, mas ao que ele disse, só estaria pronto amanhã. Tomei coragem e comecei a subir as escadas.
Eu já não prestava mais atenção em que andar eu me encontrava, até chegar ao décimo quarto levaria alguns longos minutos.
Subindo distraída, enquanto procurava o MP4 em minha bolsa me deparei com alguém e com o susto soltei minha bolsa deixando algumas fotos que estava dentro de meu caderno se esparramar pelo chão.
- Me desculpe, não percebi que estava distraída! Bee, certo? – O garoto disse com um sorriso nos lábios, como se segurasse o riso.
Eu parei meu olhar alguns segundos em seus olhos, eram exatamente no mesmo tom que os meus. Quando o garoto agachou para me ajudar com as fotos acordei de meus pensamentos e não pude deixar de rir de mim mesma, concordei com a cabeça e em seguida me agachei para pegar as fotos. – Então mais uma vez nos encontramos por culpa do elevador! – Fazia apenas um dia desde o incidente, no sábado.
Terminamos de recolher as fotos e Ramon começou a dar uma olhada nelas, me senti nervosa com seu olhar sem expressão enquanto as via e logo me apressei em, digamos, me desculpar por ser somente uma amadora. – Er, não são tão boas. – Encolhi os ombros e sorri.
Ele sorriu as devolvendo para mim – Na verdade são muito boas! Eu trabalho em uma galeria, qualquer dia deveria ir lá comigo e não deixe de levar suas fotos!
Meu sorriso se abriu ainda mais e novamente concordei com a cabeça. – Te vejo num próximo incidente com o elevador para combinarmos de ir à galeria!
Ramon concordou e seguiu seu caminho. Ele era uma figura realmente misteriosa, de poucas palavras, mas sempre muito simpático. Era uma daquelas pessoas que te deixam com vontade de decifrá-las. Segui meu caminho, dessa vez ouvindo música e pensando neste último ocorrido. A melhor parte da solidão é que sem ela não se daria o devido valor para a companhia de alguém.

2 comentários:

  1. q lindo eles se encontrando na escada meuuuuuuuuu amei

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  2. eu achei tão 'refrescante e bom '(que) a parte que a Bee tava no banco *-* e esse encontro by filme e timidez e sorrisinhos e,amei +1 ê

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