O fato de eu ter deixado o banheiro e não estar mais diante do espelho não impediu que aquela imagem que eu tinha de mim mesma tivesse me seguido , eu olhei para traz e lá estava as minhas mãos mergulhando pelo chão do apartamento , me puxando , me chamando para tomar "providências" , não pensei duas vezes e fechei meus olhos , não conseguia abri-los, não sabia se a vergonha tinha me cegado , dentro da minha cabeça haviam flashes , e rapidamente vi uma cena que me tirou o fôlego:
Haviam duas pessoas em uma sala branca , toda branca , teto , paredes e piso , as duas pessoas estavam no centro da sala , pareciam ser duas mulheres , diante delas havia um espelho e uma das mulheres estava ajoelhada , eu estava do outro lado da sala e não consegui perceber com muita certeza oque estava acontecendo entre elas , eu resolvi dar alguns passos para se aproximar e observar melhor , meus pés êxitavam , eu estava com outras roupas , meu corpo estava envolvido de lenços brancos de seda , e calçava saltos também brancos , aos meus primeiros passos os saltos estalaram no piso branco , mas algo estava errado , as mulheres não me notavam , foi quando me aproximei o bastante para ver oque acontecia , as duas mulheres eram dois estereótipos de mim , uma era grande , gorda e repugnante , na outra não pude me reconhecer em suas feições , mas ao ver seus olhos , olhos grandes , cílios falsos enormes e curvados , olhos verdes banhados de um fraco tom de amarelo , não poderia ser outra pessoa.
Sem que eu pudesse perceber a mulher gorda havia fechado os olhos da outra mulher e a havia feito ajoelhar-se diante do espelho , a mulher estava nua e pude ver seu corpo , era cadavérico e frágil mas mesmo assim belo como nunca vi antes ,foi quando o branco deixou de ser a única cor presente , a mulher gorda começou a costurar as pálpebras da mulher ajoelhada e então o verde amarelado deu lugar ao vermelho , e o imaginário deu lugar ao real e eu acordei.
Ainda estava no apartamento , encostada na parede da sala e sentada no chão , levantei meu pulso ofegante e olhei para o relógio , eu estava muito atrasada , levantei as pressas e abri a porta e a fechei com muita força , pude ouvir o som da porta ecoar por todo o corredor , chamei o elevador e esperei inquieta , finalmente entrei no elevador , estava vazio , me encostei perto da porta e tive ressentimento de olhar para os espelhos do elevador
, tinha medo de ver os meu próprios olhos me julgando , logo o elevador parou e um garoto magro e alto entrou , parecia estar atrasado também , colocava uma blusa as pressas quando pude perceber que um de seus braços era todo tatuado com letras , pensei em puxar assunto mas a idéia foi logo consumida pela vergonha.
No décimo quarto andar uma garota totalmente sem senso de moda nos deu a graça de sua presença , ouvindo musica alta e sorridente , me impressionei quando olhei nos seus olhos e poderia jurar que o garoto teve uma reação semelhante se as luzes do elevador não tivessem se apagado.
- Isso era realmente previsível- A julgar pela voz grossa e intimidadora era o menino que havia se pronunciado , a menina ainda estava ouvindo musica , ou não havia desligado seu MP3 -Conseguem pensar em situação melhor para conhecer pessoas novas- Disse a menina que antes escutava musica.
Eu não teria escapatória teria que dizer algo eventualmente :
-Aparentemente não há nada que possamos fazer , oque posso fazer é dizer que meu nome é Rebecca e é um prazer ter caído nessa armadilha do destino com vocês - finalmente me pronunciei meio tremula e rouca.
-Sinceramente sabia que essa armadilha um dia pegaria alguém , só não imaginava e nem esperava que fosse comigo , enfim meu nome é Ramon e moro no décimo quinto andar- Apesar do menino aparentar ser de poucos amigos e usar óculos escuros dentro de um prédio, ele me pareceu muito espontâneo e simpático.
-Meu nome é Bee e eu moro no décimo quarto andar ,e eu não lembro de vocês por aqui , são novos aqui no London Eye!?
-Moro em Londres a 8 anos , mas me mudei para esse apartamento faz alguns meses , meus deveres não me deixam muito desfrutar de um dia todo em casa , provavelmente por isso nunca nos vimos- Disse Ramon
-Eu trabalho com moda e me mudei para Londres recentemente para trabalhar em um projeto , essas ultimas semanas tem sido uma correria para poder me estabelecer aqui no London Eye , acho que isso também explica nunca termos nos visto- Logo após ter dito isso as luzes começaram a piscar constantemente , Ramon havia tirado seus óculos e para minha surpresa seus olhos eram verdes amarelados também assim como os de Bee e os meus , algumas piscadas e estrondos depois o elevador se abriu finalmente na portaria , alguns seguranças e algumas pessoas deviam ter escutado os barulhos e uma pequena platéia havia se formado ali na portaria , antes que pudesse voltar meus olhos para Ramon eu estava sozinha no elevador e a platéia se dissipava , mais adiante pude ver Bee saindo da portaria do prédio.
sábado, 12 de dezembro de 2009
Flashback (ponto de vista de Rebecca, parte um)
Saí do banho e me enrolei na toalha, meus longos cabelos loiros pingavam por todo meu corpo, estava frio então me apressei em seguir até meu quarto, ao passar pelo corredor pude ouvir a TV ligada na sala, Melissa estava em casa. Melissa é a garota com quem eu divido o apartamento e conseqüentemente as despesas, nós duas trabalhamos numa agência de modelos aqui em Londres, ela possui 22 anos, sendo um ano mais velha que eu. Entrei em meu quarto e abri meu closet à procura de uma roupa para hoje a noite, é uma difícil escolha com tantas peças, acessórios e sapatos diferentes. Pode-se dizer que sou extremamente consumista, eu não ligo, aliás, eu adoro ser assim. Optei por minha legging de estampa de leopardo, um shorts preto, uma t-shirt branca estampada e um all star. Troquei-me e joguei vários colares por cima da t-shirt, voltei ao banheiro para me maquiar, dessa vez deixei a porta aberta e pude ouvir o que Mel estava assistindo. A cada frase, uma lembrança do que ocorrera minutos antes de eu entrar no banho vinha aos meus pensamentos.
“Os vômitos são provocados seguidamente aos episódios de compulsão. Alguns pacientes podem chegar a vomitar até 20 vezes por dia.”
Maldita latinha de leite condensado. Maldita Melissa que comprou essa merda. Joguei a lata de leite condensado vazia no lixo, lavei minhas mãos e minha boca suja do doce. Era desnecessário limpar minha boca já que eu iria vomitar pela sétima vez no dia. Argh, com o eu odiava ficar em casa num sábado, não se tem nada para fazer além de comer, e fome é algo que está me matando há três anos.
“Os vômitos se tornam tão "comuns" que pacientes se tornam capazes de vomitar quando querem. O ato de purgar reduz temporariamente o desconforto físico causado pela sensação de "estufamento" gástrico, alem de amenizar o medo de ganhar peso pelas crises compulsões.”
Prendi meu cabelo num coque, e entrei no banheiro, sem o menor esforço botei tudo para fora. Dei descarga naqueles kilos a mais, escovei meus dentes e resolvi tomar um banho para sair, ficar em casa estava me irritando.
Acordei de meus pensamentos com Mel na porta do banheiro, ela disse algo sobre não voltar tarde por causa de algum compromisso que eu tinha amanhã de manhã, sorri concordando com a cabeça e terminei de me maquiar. Encarei-me no espelho. Eu parecia uma baleia. Saí do banheiro, peguei minha bolsa em meu quarto e segui para o elevador.
Flashback (ponto de vista de Ramon)
Aos poucos as horizontais da minha visão lutavam para se abrir completamente, foram poucos momentos de êxito até que eu consegui ver meu próprio reflexo nos pisos negros e espelhados do meu quarto, sem motivos aparentes eu estava esticado com meu rosto sobre o chão e metade do corpo sobre a cama, não seria uma surpresa dizer que devo ter caído da cama durante o sono ou que na noite passada havia ido dormir tão cansado que mal me posicionei antes de deitar.
Meu nome é Ramon a propósito, moro em Londres faz 8 anos, a dois anos meus pais se mudaram para algum pais da Europa Central, na época essa noticia me pegou tão de surpresa e despreparado que até hoje não sei para onde meus pais se mudaram, mas minha mãe mantêm contato, é um tanto estranho mas o paradeiro deles nunca é mencionado nos poucos minutos em que nos falamos nos finais de semana, mas devido a relação meio conturbada que temos também nunca resolvi perguntar.
Os vestígios da noite passada faziam uma trilha perfeita saindo do meu quarto e indo até a porta da sala, começava com um casaco de tecido pesado e escuro e terminava exatamente encima de minha cabeça com uma meia de cor fosforescente, acreditem foi difícil me soltar dos braços da preguiça e finalmente levantar, levantar e dar de cara comigo mesmo refletido na imensa janela do meu quarto, salpicado com milhares de gotinhas em movimento que tentavam refletir o Sol que não apareceu naquele dia, mas mesmo assim conseguiam brilhar suaves e instantâneas.
Não tenho muito oque dizer de mim mesmo , apesar do fato de saberem que adoro acordar e me ver pela janela sou uma pessoa comum e singular , as vezes dou nome as estrelas que vejo através da minha janela , as vezes corto meu próprio cabelo , e tenho me empenhado muito ultimamente em achar alguém com a tonalidade do olho igual a minha , trabalho em uma galeria de fotos e adoro desenhar futilidades que florescem na minha cabeça , vou a escola , não sou popular e isso não me torna pior, nem mesmo menos feliz.
O dia estava com uma vibe de filme e chá ,e eu afundado no sofá do meu apartamento, mas eu estava atrasado para o trabalho , teríamos uma exposição naquela tarde e eu de alguma forma sentia que depois de tudo aquilo iria traçar outra trilha em direção a um lapso de memória exatamente igual aquele que eu acabava de sair.
Nem sequer tomei um banho , sai em direção a porta da sala , eu havia decidido usar a trilha de roupas e ela parecia ter tudo oque eu precisava , uma calça amarela , uma camiseta branca com uma gola em V , meias fosforescentes verdes , um casaco preto e o par mais velho de all star possível , em instantes eu estava no elevador , aquele maldito elevador , velho e lento ,foram-se os dias em que descer por ele não era uma frustração , mais um pouco e eu me arriscaria nas escadas , finalmente ele se abriu , entrei e me apoiei nas paredes espelhadas , segundos depois percebi uma menina magra e alta encostada próxima a porta , minha pressa era tanta que não dei muita atenção aos detalhes , o elevador parou no décimo quarto andar e uma menina um tanto magra entrou , estava ouvindo musica e a julgar por suas expressões a musica devia ser engraçada , foi quando reparei em seus olhos , me parecia familiar, e então as luzesdo elevador se apagaram e um estrondo tomou conta daquele pequeno cubículo maldito , se tratando daquele elevador não pude ficar tão surpreso , ficar em pé me pareceu um tanto inútil então me sentei e me aventurei naquela escuridão em busca de algo.
Meu nome é Ramon a propósito, moro em Londres faz 8 anos, a dois anos meus pais se mudaram para algum pais da Europa Central, na época essa noticia me pegou tão de surpresa e despreparado que até hoje não sei para onde meus pais se mudaram, mas minha mãe mantêm contato, é um tanto estranho mas o paradeiro deles nunca é mencionado nos poucos minutos em que nos falamos nos finais de semana, mas devido a relação meio conturbada que temos também nunca resolvi perguntar.
Os vestígios da noite passada faziam uma trilha perfeita saindo do meu quarto e indo até a porta da sala, começava com um casaco de tecido pesado e escuro e terminava exatamente encima de minha cabeça com uma meia de cor fosforescente, acreditem foi difícil me soltar dos braços da preguiça e finalmente levantar, levantar e dar de cara comigo mesmo refletido na imensa janela do meu quarto, salpicado com milhares de gotinhas em movimento que tentavam refletir o Sol que não apareceu naquele dia, mas mesmo assim conseguiam brilhar suaves e instantâneas.
Não tenho muito oque dizer de mim mesmo , apesar do fato de saberem que adoro acordar e me ver pela janela sou uma pessoa comum e singular , as vezes dou nome as estrelas que vejo através da minha janela , as vezes corto meu próprio cabelo , e tenho me empenhado muito ultimamente em achar alguém com a tonalidade do olho igual a minha , trabalho em uma galeria de fotos e adoro desenhar futilidades que florescem na minha cabeça , vou a escola , não sou popular e isso não me torna pior, nem mesmo menos feliz.
O dia estava com uma vibe de filme e chá ,e eu afundado no sofá do meu apartamento, mas eu estava atrasado para o trabalho , teríamos uma exposição naquela tarde e eu de alguma forma sentia que depois de tudo aquilo iria traçar outra trilha em direção a um lapso de memória exatamente igual aquele que eu acabava de sair.
Nem sequer tomei um banho , sai em direção a porta da sala , eu havia decidido usar a trilha de roupas e ela parecia ter tudo oque eu precisava , uma calça amarela , uma camiseta branca com uma gola em V , meias fosforescentes verdes , um casaco preto e o par mais velho de all star possível , em instantes eu estava no elevador , aquele maldito elevador , velho e lento ,foram-se os dias em que descer por ele não era uma frustração , mais um pouco e eu me arriscaria nas escadas , finalmente ele se abriu , entrei e me apoiei nas paredes espelhadas , segundos depois percebi uma menina magra e alta encostada próxima a porta , minha pressa era tanta que não dei muita atenção aos detalhes , o elevador parou no décimo quarto andar e uma menina um tanto magra entrou , estava ouvindo musica e a julgar por suas expressões a musica devia ser engraçada , foi quando reparei em seus olhos , me parecia familiar, e então as luzesdo elevador se apagaram e um estrondo tomou conta daquele pequeno cubículo maldito , se tratando daquele elevador não pude ficar tão surpreso , ficar em pé me pareceu um tanto inútil então me sentei e me aventurei naquela escuridão em busca de algo.
Flashback (ponto de vista de Bee)
O barulho da chuva na janela me acordou, pela quinta vez na semana, se continuasse a chover assim minha Londres iria se afogar. Abri os olhos e me deparei com o teto do meu apartamento, cadê minha coragem para sair daquela cama? Respirei fundo e fui sentando aos poucos, esfreguei meus olhos e então me deparei com Lilah pulando em meu colo, que fique claro que Lilah é uma cadela. – Bom... – pausei minha fala olhando para o relógio em meu criado mudo, 16h42min. – Er, boa tarde minha pulguenta! – Coloquei Lilah de lado e me levantei, me aproximando da janela onde a chuva batia. Pude ver meu reflexo no vidro, uma garota magrela e albina, de cabelos negros e uma franja escorrendo pelos olhos que eram verdes amarelados, de um tom do qual eu nunca consegui encontrar igual, vestindo uma camiseta velha do Guns N’ Roses com a maquiagem extremamente borrada. Nota mental: tirar a maquiagem antes de dormir. Agora bem próxima da janela, pude ver através dela, London Eye. O prédio onde eu moro possui uma incrível vista para a roda gigante mais famosa do mundo, o próprio prédio se chama London Eye, moro no décimo quarto andar e amo acordar com essa visão todos os dias. Me chamo Bee, na verdade Beatrice e tenho 16 anos, moro com meus pais, sou estudante, quero ser fotógrafa profissional, odeio cenoura , estou usando uma calcinha preta no momento e estou atrasada para ir na casa de minha amiga fazer um trabalho do colégio.
Saí do banho desastradamente com pressa, coloquei qualquer roupa casual, prendi meu cabelo num coque e voei para a porta do apartamento, a tranquei já que parecia não ter ninguém em casa e chamei o elevador. Coloquei meus fones no ouvido e comecei a escutar The Offspring. O elevador chegou. Give it to me baby, a-ha, a-ha! Entrei e o botão para o térreo já estava apertado. Give it to me baby, a-ha, a-ha! Haviam duas pessoas ali comigo uma garota extremamente magra, acredite mais magra do que eu, e um garoto. Give it to me baby, a-ha, a-ha! Antes que eu pudesse reparar em mais detalhes as luzes do elevador se apagaram, e o próprio parou de funcionar, argh. And all the girls say I'm pretty fly for a white guy.
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